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CURITIBA

Curitiba, 22 de novembro de 2017
 
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Data: 18/12/2014 - 16:19:53

Os presentes dos primeiros 50 anos do Paraná emancipado

  • A praça Eufrásio Correia no dia da exposição, com o pavilhão e uma nova infraestrutura montados ao lado do Palácio Rio Branco, onde hoje são realizadas as sessões plenárias da Câmara de Curitiba. (Foto – Acervo Casa da Memória/Diretoria de Patrimônio Cultural/Fundação Cultural de Curitiba)
  • O pavilhão de exposições da feira de 1903. (Foto – Acervo Casa da Memória/Diretoria de Patrimônio Cultural/Fundação Cultural de Curitiba)
  • O primeiro carimbo comemorativo dos Correios foi em alusão ao cinquentenário da emancipação. (Foto – Acervo Casa da Memória/Diretoria de Patrimônio Cultural/Fundação Cultural de Curitiba)
  • Curitiba em 1855, dois anos após a emancipação do Paraná. O rio Ivo, em primeiro plano, é onde hoje está a praça Carlos Gomes. Reprodução de um desenho de John Heny Elliot, feita por G. Schlichting. Quadro exposto no Instituto Histórico e Geográfico do Paraná. (Foto – Reprodução Michelle Stival/CMC)
  • A praça Carlos Gomes em 1914, já toda transformada. (Foto – Acervo Casa da Memória/Diretoria de Patrimônio Cultural/Fundação Cultural de Curitiba)
  • O Largo Osório (Atual Praça Osório), em 1905, ainda com as árvores recém-plantadas. (Foto – Acervo Casa da Memória/Diretoria de Patrimônio Cultural/Fundação Cultural de Curitiba)
  • A Rua XV de Novembro em 1900. (Foto – Acervo Casa da Memória/Diretoria de Patrimônio Cultural/Fundação Cultural de Curitiba)
  • O Passeio Público em 1886, recém-inaugurado. (Foto – Acervo Casa da Memória/Diretoria de Patrimônio Cultural/Fundação Cultural de Curitiba)
Até a Emancipação Política do Paraná, em 19 de dezembro de 1853, a Câmara Municipal tinha o papel estratégico de, além de gerenciar Curitiba, agir como interlocutora do interior. O primeiro presidente da Província, Zacarias de Góis e Vasconcelos, foi empossado pelos vereadores, a pedido de Dom Pedro II, ato que trouxe mais autonomia para a então 5ª Comarca da Província de São Paulo. Isso possibilitou um desenvolvimento notável. Este texto conta um pouco da história, das conquistas e comemorações dos primeiros 50 anos do Paraná emancipado. Em respeito à data, a Câmara decretou ponto facultativo nessa sexta-feira. 

 

O dia 19 de dezembro já foi muito comemorado em Curitiba. No cinquentenário e centenário da Emancipação Política, a população e a imprensa ansiavam pelos festejos programados pelos governos, que valorizaram o acontecimento. Isto porque o Paraná começou efetivamente a se desenvolver a partir deste momento, impulsionado pela prosperidade do cultivo e comércio da erva mate. Foram muitos os presentes que a capital ganhou desde então, em alusão à data.

O primeiro deles, pode-se assim dizer, foi o jornal “O Dezenove de Dezembro”. Pioneiro no estado, foi criado apenas quatro meses depois da emancipação. Em sua primeira edição, de 1º de abril de 1854, o periódico destacou a lei imperial número 704, de agosto de 1853, que eleva a 5ª Comarca de São Paulo à categoria de Província do Paraná.

“Dom Pedro Segundo, por graça de Deos, e unanima aclamação dos povos, imperador constitucional e defensor perpétuo do Brasil: Fazemos saber a todos os nossos subditos, que a assembleia geral legislativa decretou e nós queremos a lei seguinte: Art 1. A comarca de Coritiba era província de São Paulo fica elevada à categoria de província...”, publicara o jornal.

Também nesta primeira edição estavam as nomeações de cargos administrativos feitas pelo primeiro presidente Zacarias de Góis e Vasconcelos nos dias que sucederam sua posse, como a de Constantino do Amaral Tavares “para o emprego de official interino da Secretaria do Governo”.

“O Paraná foi grandemente beneficiado por ter como seu primeiro presidente o baiano Zacarias de Goes e Vasconcelos, homem de grande visão política e administrativa, que soube orientar os primeiros passos da jovem província de maneira dinâmica e eficiente”, considerou Ruy Wachowicz, no livro “História do Paraná”.

“O Dezenove de Dezembro” abordou ainda o papel da imprensa e o seu, como primeiro jornal da província. “A imprensa, como todas as instituições e cousas humanas, tem um lado bom e outro não, pois se é origem fecunda de vantagens sociaes, também com razão se lhe atribuem males gravíssimos. As vezes solta e desenfreada como a anarchia, a imprensa atropela tudo, nada é para ela sagrado... Outras vezes, porém, desveladamente ocupada em investigar só a verdade útil e profícua ao paiz, a imprensa, tomando iniciativa do bem, discute as questões de mór interesse para a sociedade.”

Desenvolvimento
Nos 50 anos que se sucederam, Curitiba e o estado cresceram substancialmente. A cidade, que na data da emancipação ainda era acanhada, com seus 5.891 habitantes, 308 casas, duas escolas de primeiras letras, 38 lojas de fazendas e armarinhos e 35 armazéns de comestíveis, como relata João Caros Ferreira no livro “O Paraná e seus municípios”, passava para uma capital de aproximadamente 40 mil habitantes em 1903.

A iniciante província, além de Curitiba e Paranaguá, contava com sete vilas – Guaratuba, Antonina, Morretes, São José dos Pinhais, Vila do Príncipe (Lapa), Castro e Guarapuava – e seis freguesias – Campo Largo, Palmeira, Ponta Grossa, Jaguariaíva, Tibagi e Rio Negro³.

“Que era então o Paraná? Que é elle hoje?”, escreveu Chichorro Junior no jornal “A República”, no dia 19 de dezembro de 1903. “Com o auxilio de documentos antigos, calcula-se que a população da ex-provincia, ao tempo da sua separação de S. Paulo, era de apenas 63 mil almas... Hoje tem o Paraná uma população de 400 mil habitantes”, continuou.

Grandes ações impulsionaram a integração e o consequente crescimento do estado, como, ainda com Zacarias, o início da construção da estrada da Graciosa, que ligaria Curitiba a Antonina³. Também a exploração dos rios Ivaí, Tibagi e Paranapanema para a comunicação fluvial com a província do Mato Grosso¹.

Em 1880, com a presença de dom Pedro II em Curitiba, são inaugurados os trabalhos para a construção da estrada de ferro Curitiba-Paranaguá, assim como a Santa Casa de Misericórdia e a Igreja Matriz. Em 1882, “realizam-se estudos sobre o sistema de impostos, instalação do primeiro banco e Caixas Econômicas nos municípios”¹.

“Já no dia 19 de dezembro de 1884, o 31º da emancipação política do Paraná, o primeiro trem chega a estação de Curitiba”². O jornal “Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro” relatou a visita da princesa Isabel a Curitiba, que finalizou com sua partida para Paranaguá, no dia 14, de trem. “Muitas pessoas acompanharam Suas Altezas até o logar do embarque onde também acharam d'esde pela manhã cedo, muitas outras entre ellas diversas famílias da capital... Ao partir o trem muitos vivas foram levantados em Corityba a SS. AA. Imperiaes”, publicou, no dia 1º de janeiro de 1885.

Em 1885, “sobre o charco marginal do Rio Belém, é construído o Passeio Público”¹. Em 1887, foi implantado o sistema de bondes puxados por mulas. Era a primeira experiência de transporte coletivo da cidade.

A feira de 1903
Devido a tantas mudanças, o Paraná tinha muito o que comemorar após 50 anos. O 19 de dezembro era uma data esperada, cuja ansiedade é revelada pelos jornais que anunciavam os festejos. Uma grande exposição com os produtos do estado seria inaugurada na praça Eufrásio Correira, ao lado do Palácio Rio Branco, onde hoje fica a Câmara Municipal de Curitiba. A cerimônia de abertura ocorreu dentro do plenário.

“A alma paranaense exulta de regozijo com a data que assigna-la nossa autonomia administractiva com a abertura do certamen onde o Paraná vae receber o julgamento dos seus innumeros visitantes junto ao que ha feito em meio seculo de existencia politica”, anunciou o jornal “A Republica”, um dia antes.

Para o evento, havia sido chamada a imprensa nacional e internacional, com o intuito de promover o que o Paraná produzia. “O Paraná vai apresentar-se aos olhos do Brazil e do mundo, com as suas riquezas naturaes, com o producto do seu trabalho, com o resultado do seu esforço”, continuou o periódico naquele dia.

Foi uma exposição de produtos naturais, industriais, agrícolas e pastoris, promovida pela Sociedade Estadual de Agricultura, cuja organização foi gerida pelo historiador Romário Martins. Contou com a participação de diversos municípios do Paraná. “Não foi por acaso que a Praça Eufrásio Correia foi escolhida para sediar o certame. Espaço de circulação para os viajantes que desembarcavam na estação ferroviária, e cercada de construções imponentes que abrigavam hotéis, residências e instituições públicas, como o Palácio do Congresso”4.

Passados mais 50 anos, a cidade, impulsionada pela produção do café, ganhava outros presentes: o Centro Cívico, o prédio da Biblioteca Pública do Paraná, o Teatro Guaíra, a praça 19 de Dezembro. Mas esta já é uma outra história.

Por Michelle Stival da Rocha – Jornalista da Assessoria de Comunicação da Câmara Municipal de Curitiba. Colaborou Chico Camargo, fotojornalista da mesma assessoria.
 
* As citações de atas e notícias, entre aspas, são reproduções fieis dos documentos pesquisados. Por isso, a grafia original não foi modificada.
 
Referências:

(1) O Paraná e seus Municípios, João Carlos Vicente Ferreira.

(2) A estrada de ferro Paranaguá-Curitiba. Uma obra de arte. - Acervo do Museu Paranaense. http://www.museuparanaense.pr.gov.br/arquivos/File/Banestado61anos/AestradadeFerroParanaguaCuritibaUmaobradeArte.pdf

(3) História do Paraná, Rui Wachowicz.

(4) SÍMBOLOS E MONUMENTOS: AS COMEMORAÇÕES DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA DO PARANÁ NOS LOGRADOUROS DE CURITIBA, artigo de Aparecida Vaz da Silva Bahls.

Gazeta de Notícias, Rio – edição 361, de
1884.
http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=103730_02

Viagem de trem – edição 1, de 1885.
http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=103730_02

Boletim do Archivo Municipal de Curitiba, Francisco Negrão, vol. LVIII – páginas 70 a 73
http://www.arquivopublico.pr.gov.br/arquivos/File/Boletins%20AMC/Volume_58.pdf
 


 
Reprodução do texto autorizada mediante citação da Câmara Municipal de Curitiba.


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