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Curitiba, 22 de novembro de 2017
 
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Data: 08/03/2016 - 17:46:00

Maria Clara Brandão Tesserolli: a segunda vereadora de Curitiba

  • Maria Clara Brandão Tesserolli, a segunda vereadora eleita na cidade, sob a lente do fotógrafo do jornal Última Hora de 26 de outubro de 1959. (Foto: Hemeroteca Digital Brasileira)
  • Tesserolli passou pelos bancos escolares do Instituto de Educação do Paraná, vindo a se tornar uma professora normalista. A partir disso, sua carreira se estendeu por mais de 30 anos. (Foto: acervo Prefeitura de Curitiba)
  • Na década de 60, Curitiba ainda misturava aspectos urbanos a características rurais. O simples fato de uma única mulher ocupar assento entre os vereadores já demonstra como era a mentalidade reinante. (Foto: Cartão-postal)
  • Vinculada ao antigo PSD, Maria Clara tomou algumas posturas contrárias ao então prefeito Ivo Arzua, como por exemplo, ser contra a criação da Urbs em 63. (Foto: Hemeroteca Digital)
  • Na primeira metade dos anos 60, a Câmara ainda funcionava no segundo andar do Paço Municipal, prédio construído entre os anos de 1913 e 1916. (Foto: cartão-postal)
  • Maria Clara Brandão Tesserolli em evento político com o então governador Paulo Pimentel nas dependências do Palácio Rio Branco. (Foto: acervo CMC)
  • Outro evento que contou com a presença da vereadora Tesserolli. (Foto: acervo CMC)
  • Maria Clara sempre foi firme em seus posicionamentos, como foi o caso, por exemplo, da sua defesa da aposentadoria aos 25 anos para mulheres, projeto que foi vetado pelo então prefeito Ivo Arzua. (Foto: acervo CMC)
O Dia Internacional da Mulher tem sido sistematicamente lembrado pela Diretoria de Comunicação da Câmara de Curitiba há três anos. Em 2014, o Projeto Nossa Memória contou a história da primeira vereadora eleita em Curitiba (leia mais). No ano passado, a história do sufrágio feminino tematizou o projeto (leia aqui e aqui). Agora, em 2016, o Nossa Memória traz alguns dados biográficos sobre Maria Clara Brandão Tesserolli, a segunda vereadora eleita na cidade.

Nascida em dois de dezembro de 1916, Maria Clara era filha de Leontina Artigas Brandão de Proença e de João Batista Brandão de Proença. O pai, possivelmente, tinha vínculos de parentesco com o homônimo João Batista Brandão de Proença, um dos mais conhecidos educadores do Paraná Provincial.

Esse antepassado de Maria Clara argumentava em prol da obrigatoriedade do ensino primário público, intenção que se tornou realidade com a aprovação da lei provincial 14, de 14 de setembro de 1854. João Batista Brandão de Proença também recebeu um elogio do inspetor Joaquim Inácio Silveira da Mota, em 1858, o qual ficou impressionado com a velocidade da escrita de seus alunos. Outro motivo pelo qual Batista Brandão é lembrado é o fato dele ter sido um dos maiores entusiastas do Hino do Paraná, instituído em 1854.

Ter um parente notório por atividades educacionais pode ter influenciado Maria Clara que, na década de 30, estudou no Instituto de Educação (antiga Escola Normal). A instituição, fundada em 1876, propunha-se a educar jovens que pretendiam se tornar professoras primárias. Em 1922, o governador Caetano Munhoz da Rocha inaugurou uma nova sede para a entidade, na rua Emiliano Perneta (antiga rua Aquidaban), onde funciona até hoje.

O período em que Maria Clara frequentou o Instituto foi marcado por mudanças, como por exemplo, as propostas em 1928 pelo diretor da instrução pública estadual, Lysímaco Ferreira da Costa. Ele sugeriu as “Bases Educativas para a Organização da Nova Escola Normal Secundária do Paraná”, documento que norteou durante décadas o ensino para o magistério no Estado.

Após sua formatura como professora normalista, Maria Clara passou a integrar o quadro de funcionários do Governo do Estado, iniciando uma carreira de 30 anos. Sua posterior atuação parlamentar se deu num momento delicado da política brasileira, mas nem por isso ela deixou de elaborar normas que lhe pareciam mais justas, como foi o caso, por exemplo, do projeto de 1964, que propunha a redução para 25 anos do tempo de serviço para a contagem da aposentadoria das mulheres.

Magistério
De acordo com Vanilda Pereira Paiva, citada por Rafaella Nolli Garcia em seu estudo “Direito à educação e oportunidades educacionais para os jovens de 15 a 17 anos no Paraná”, as matrículas no ensino primário duplicaram entre os anos 50 e 60: de 4,3 milhões subiram para mais de 8 milhões. A mesma Vanilda Paiva, mencionada pela pesquisadora Claudia Maria de Almeida, destaca que recursos do Fundo Nacional do Ensino Primário (FNEP) possibilitaram um avanço de 28.300 unidades escolares em 1946, para 134.909, em 1969. Este aumento, entretanto, não era sinônimo de melhoria qualitativa no ensino. De acordo com o Censo Escolar de 1964, 44,2% dos professores do ensino elementar não possuíam qualificação para a docência.

“A idealização e fundação da Casa do Professor Primário do Paraná foi decisiva para que o professorado reconhecesse uma liderança em Maria Clara”, defende seu filho, Joril Tesserolli. “A entidade”, lembra ele, “ficou conhecida por atender uma grande quantidade de profissionais que vinham do interior e que precisavam de alguma espécie de assistência”. Ele salienta que hoje a Casa é vinculada à Associação dos Professores do Paraná (APP), outra entidade que, de acordo com ele, também contou com a presidência de Maria Clara Brandão Tesserolli. Joril salienta que sua mãe foi titular da Secretaria de Estado dos Negócios da Educação e Cultura, no final do governo de Moysés Lupion.

O que motivou sua eleição a vereadora por Curitiba, em 1959, foi sua atuação como diretora do Colégio Paula Gomes, no bairro Santa Quitéria, e os reflexos que essa atuação teve junto à comunidade. “Antes dela, tudo no bairro era precário”, lembra o professor e historiador Heriberto Ivan Machado, morador daquela localidade entre o final dos anos 60 e o começo dos 80. “Havia muita dificuldade: ruas de saibro mal-conservadas, falta de iluminação, transporte coletivo escasso e de baixa qualidade. Ela batalhou por uma série de conquistas e teve o reconhecimento por este esforço”, rememora.

Legislaturas
A vereadora Maria Clara Brandão Tesserolli teve um papel ativo, na Câmara Municipal de Curitiba, durante as duas legislaturas das quais participou: 1960 e 1964. Um de seus projetos, já mencionado, propunha a redução do tempo de serviço das mulheres para 25 anos, a fim de aposentadoria. Hoje a matéria é regulamentada em âmbito federal, mas à época, a discussão foi intensa e acabou sendo vetada pelo então prefeito Ivo Arzua, em 8 de março de 1961. Em contrapartida, Arzua enfrentou a oposição de Tesserolli em agosto de 63, quando, ao propor a reestruturação dos quadros da prefeitura, precisou desqualificar a emenda da vereadora que aumentava em 60% os vencimentos dos servidores ativos e em 100% o abono família dos inativos.

A postura contrária da vereadora ao prefeito Arzua também se verificou quando ela votou negativamente à criação da Urbs, em 16 de agosto de 1963 (até aquele momento, a mais longa sessão plenária da história da CMC).

Independente dessas questões, alguns projetos ligados à educação foram aprovados pelos vereadores nas legislaturas de 1960 e 1964, entre eles, a instituição da utilidade pública das seguintes entidades:  Casa do Professor Primário do Paraná (lei nº. 1883/1960) e União Curitibana dos Estudantes Secundários (lei nº. 1971/1961). Também foram aprovados, nesse período, projetos com os seguintes temas: Campanha de Erradicação do Analfabetismo em Curitiba (CEAC), pela lei 1997/1961; reserva de 10% das vagas em escolas para alunos comprovadamente pobres (lei  2062/1961- Revogada pela lei 3227/1968); e três exibições cinematográficas anuais gratuitas para crianças pobres (lei 2093/1961).

Casada com Javert Tesserolli, Maria Clara teve dois filhos [Josil e Joril]. Morreu precocemente em 1969, aos 55 anos de idade. A Diretoria de Comunicação da Câmara Municipal resgatou uma entrevista de Maria Clara Brandão Tesserolli ao jornal “Última Hora”, de 26 de outubro de 1959 (2º Caderno, página 7), por ocasião de sua eleição para vereadora por Curitiba. Impropriedades e generalizações do texto [como a primeira frase do primeiro parágrafo] devem ser consideradas com a ressalva de que  em 1959 tais raciocínios pareciam aceitáveis.
 
Referências bibliográficas.
 
Rafaella Nolli Garcia. Direito à educação e oportunidades educacionais para os jovens de 15 a 17 anos no Paraná. Especialização em Políticas Educacionais no curso de Educação, UFPR. Curitiba, 2011.
http://www.nupe.ufpr.br/garcia.pdf

Almeida, Claudia Maria de. A política de cessação do curso de magistério no Estado do Paraná: das razões alegadas às que podem ser aventadas. Mestrado em Educação pela UFPR. Curitiba, 2004.
http://www.nupe.ufpr.br/claudia.pdf

Hemeroteca Digital Brasileira
http://bndigital.bn.br/hemeroteca-digital/

Alegro, Regina Célia. Educação e ensino no Paraná: tema para aula de história. In Temas e questões para o ensino de história do Paraná [livro eletrônico] /organizadores: Regina Célia Alegro...[et al.]. Eduel. Londrina, 2013.
http://www.uel.br/editora/portal/pages/arquivos/temas%20e%20questoes.pdf

Bahls, Aparecida Vaz da Silva. A busca de valores identitários: a memória histórica paranaense. Doutorado em História. UFPR. Curitiba, 2007.
http://www.poshistoria.ufpr.br/documentos/2007/Aparecidavasdasilvabahls.pdf

Iwaia, Marilda. Palácio da Instrução: representações sobre o Instituto de Educação do Paraná Professor Erasmo Pilotto (1940 – 1960). Mestrado em Educação da Universidade Federal do Paraná – UFPR. Curitiba, 2000.
http://www.ppge.ufpr.br/teses/M00_iwaya.pdf

Conhecendo Curitiba foto instituto
http://www.curitiba.pr.gov.br/conhecendocuritiba/institutodeeducacaodoparana

Foto Vista Parcial les Paxá
http://lespaxa.blogspot.com.br/2009/02/magazin-avenida.html


Texto:   João Cândido Martins
Edição:   Claudia Krüger
 
Reprodução do texto autorizada mediante citação da Câmara Municipal de Curitiba.


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