Após respostas inconclusivas, CPI deve receber novamente Urbs e Setransp

por Márcio Silva publicado 19/07/2013 00h00, última modificação 13/07/2020 12h17
Após respostas inconclusivas, CPI deve receber novamente Urbs e Setransp

Reunião da CPI desta última quinta-feira não esclareceu dúvidas dos parlamentares quanto ao lucro das empresas, licitação e composição da tarifa. (Foto – Andressa Katriny)

Lucros, licitações e números financeiros foram assuntos abordados de maneira evasiva e com dificuldade pelos representantes da Urbanização de Curitiba S/A (Urbs) e do Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana, durante encontro da CPI do Transporte Coletivo, nesta quinta-feira (18), na avaliação dos vereadores. Devido às dúvidas que não foram esclarecidas, na próxima reunião os parlamentares voltam a ouvir Luiz Fila, gestor de operação do transporte coletivo da Urbs, e Antonio Vellozo, assessor do Sindicato das Empresas de Transporte Urbano e Metropolitano de Passageiros de Curitiba e Região (Setransp), na continuidade dos trabalhos.

A composição da tarifa será o tema da próxima quinta-feira. As respostas sobre a compra de lotes de ônibus e sobre a licitação não foram bem recebidas pelos vereadores. “Houve algumas inverdades”, resumiu o presidente da CPI, vereador Jorge Bernardi (PDT).

O vice-relator, Valdemir Soares (PRB), já formulou requerimento convidando assistentes financeiros e jurídicos das empresas de ônibus e da Urbs, para comparecer na próxima reunião e zerar os questionamentos dos parlamentares. “Não houve resposta satisfatória diante de perguntas pertinentes sobre questões financeiras e legais. Eu pedi o balanço dessas empresas que, segundo o Setransp, operam no vermelho e tiveram só prejuízo. Ficamos com mais dúvidas”, justifica Soares.

Os membros da CPI tiveram, antes da reunião desta quinta, o cuidado de checar dados das indústrias fabricantes de ônibus para aferir as informações sobre a compra dos veículos e constataram inconsistência nos dados passadas pelos depoentes. “Sabe-se que um grupo majoritário (Gulin) praticamente controla o setor em Curitiba”, complementou Soares.

O que chamou a atenção dos parlamentares, entre outros assuntos, foi a falta de licitação para a contratação terceiriza da Dataprom, que controla a bilhetagem do sistema e recebe R$ 600 mil por mês. Outra falta de licitação refere-se ao seguro-passageiro, que é pago ao HSBC.

A compra de 400 ônibus do mesmo fabricante sem motivo esclarecido e a possível preferência por determinadas empresas no processo licitatório foram alguns dos questionamentos, que geraram mais dúvidas nos parlamentares.

“Não é suficiente, por exemplo, só rebater as afirmações do prefeito Gustavo Fruet de que não existiu a sonegação do ISS, queremos transparência”, pontuou Valdemir Soares.

As multas aplicadas pela Urbs às empresas de ônibus, o valor descontado dos funcionários e o destino dessa arrecadação, além dos números das multas aplicadas no período de janeiro a dezembro de 2012, também foram interrogações não esclarecidas. Os dados relacionados às multas foram entregues ao vice-relator da CPI, porém com infrações de excesso de velocidade entre outras, calculados em quilômetros e não em reais, faltando maiores detalhes.

Jorge Bernardi lembrou que todas as informações sobre a CPI podem ser conferidas no site da Câmara Municipal de Curitiba (ver link CPI dos Transportes) . A próxima reunião ocorre na quinta-feira (25), às 14 horas, no plenário da Câmara Municipal.

A CPI do Transporte Coletivo tem como vice-presidente Serginho do Posto (PSDB) e na relatoria, Bruno Pessuti (PSC). O colegiado reúne, ainda, os vereadores Chicarelli (PSDC), Chico do Uberaba (PMN), Cristiano Santos (PV), Geovane Fernandes (PTB), Mauro Ignacio (PTB), Noemia Rocha (PMDB), Paulo Rink (PPS), Professora Josete (PT) e Toninho da Farmácia (PP).
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