Na CPI, Dataprom diz que ICI lhe deve R$ 4 milhões

por Márcio Silva publicado 18/09/2013 00h00, última modificação 13/07/2020 12h17
 Na CPI, Dataprom diz que ICI lhe deve R$ 4 milhões

Na CPI, Alberto Mauad Abujamra, diretor-presidente da Dataprom – empresa responsável pelo sistema de bilhetagem eletrônica do sistema de ônibus de Curitiba – disse que o Instituto Curitiba de Informática (ICI) deve à sua empresa mais de R$ 4,4 milhões. (F

Em depoimento à CPI do Transporte Coletivo da Câmara Municipal, na noite desta quarta-feira (18), Alberto Mauad Abujamra, diretor-presidente da  Dataprom – empresa responsável pelo sistema de bilhetagem eletrônica do sistema de ônibus de Curitiba – disse que o Instituto Curitiba de Informática (ICI) deve à sua empresa mais de R$ 4,4 milhões.
    
Segundo o diretor, a dívida é referente a oito parcelas não pagas do contrato de R$ 32 milhões firmado entre a Dataprom e o ICI para o desenvolvimento do sistema de bilhetagem, que controla o pagamento de passagens por meio do cartão transporte e serve para a Urbs monitorar os dados do sistema. Esse contrato, firmado em 2009, vence nesta quinta-feira (19).
    
Ainda segundo Abujamra, os equipamentos que estão hoje em Curitiba são de propriedade da Dataprom e somente serão do ICI quando os pagamentos forem finalizados. Ele explicou que os equipamentos poderão ser adquiridos por R$ 9 mil reais, ao término do contrato.
    
O diretor da Dataprom acrescentou, ainda, que existe outro contrato em vigência, mas este com as empresas de ônibus, no valor de R$ 506 mil. “Este contrato foi celebrado em 29/02/2012, com 18 meses de duração, para manutenção corretiva e preventiva de equipamentos instalados em ônibus, terminais e catracas. Não estamos falando somente de validadores, pois são mais de 12 mil equipamentos sob a nossa responsabilidade”.

Problemas com a Enterhelp

Também em seu depoimento, Alberto Abujamra rebateu informações fornecidas à CPI por Wanderlei Lima, proprietário da Enterhelp, empresa que que fez a manutenção da bilhetagem eletrônica entre junho de 2011 e junho de 2012, antes da Dataprom.
    
De acordo com Abujamra, é mentira que a Enterhelp possa fazer a manutenção do sistema por R$ 240 mil. Segundo ele, seriam necessários pelo menos mais R$ 200 mil para prestar o serviço com qualidade.
    
Abujamra apresentou uma série de falhas operacionais que teriam sido cometidas pela Enterhelp, e que teriam ocasionado prejuízos no monitoramento do sistema pela Urbs. O depoente apontou erros nos cadastros dos veículos, problemas no remanejamento de computadores de bordo das estações-tubo, instalação de validadores com parâmetros errados, entre outros. “Houve sabotagem da operação de monitoramento em tempo real, o que prejudicou a operação do sistema pela Urbs”, acusou.
    
Para o representante da Dataprom, a Enterhelp não teria interesse em fazer a manutenção do sistema, “mas sim desmantelá-lo”. “Nós temos todo o interesse em manter esta parceria, porque este sistema funciona como uma controladoria. Se ele sucumbir, a Urbs ficaria sem pai nem mãe. Estão querendo tirar isso da Urbs e eu não estou entendendo por quê”, questionou.

Setransp
    
Alberto Abujamra também fez críticas ao advogado do Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp), Sacha Reck, que teria acusado a Dataprom de ter errado em procedimentos de manutenção de equipamentos.
    
“Para denigrir alguém, você tem que ter idoneidade e este advogado responde a um inquérito por improbidade administrativa na comarca de Guarapuava. Ele foi condenado em primeira instância e está com os bens bloqueados, por ter cometido fraude em um processo licitatório, o que teria lhe gerado enriquecimento ilícito”, detalhou Abujamra.
    
Ainda conforme o diretor, a empresa teria sido responsabilizada por problemas nos validadores da passagens, que deixavam de funcionar por falta de energia, fazendo com que o usuário não conseguisse validar um crédito já pago. Segundo ele, o problema ocorria pela falta de fornecimento de baterias para os no-breaks dos validadores, o que era de responsabilidade do Setransp, e não da Dataprom. Ele garantiu que as situações foram comunicadas ao Setransp, mas não recebeu respostas.

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