Sindicato diz à CPI do Transporte que operadoras têm prejuízo

por Márcio Silva publicado 18/07/2013 00h00, última modificação 13/07/2020 12h17
 Sindicato diz à CPI do Transporte que operadoras têm prejuízo

A quinta reunião da CPI do Transporte Coletivo ouviu representantes da Urbs e do Setransp. (Foto – Andressa Katriny)

A Câmara de Curitiba teve, nesta quinta-feira (18), a quinta reunião da CPI do Transporte Coletivo. O representante do Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp), Antonio José Vellozo, disse aos vereadores que as operadoras do sistema têm prejuízo e também rebateu as afirmações do prefeito Gustavo Fruet referente à sonegação do ISS. “Nunca houve subtração de qualquer valor, seja ao governo federal, estadual ou municipal”, declarou o convidado.

Segundo Vellozo, 75% da tarifa técnica (valor repassado pela Urbs às empresas) corresponde aos custos com pessoal, diesel e impostos. “A tarifa técnica é a remuneração dos operadores. Já o valor cobrado do usuário é uma decisão do Executivo municipal, de acordo com os subsídios”, completou o gestor da área de transporte coletivo da Urbs, Luiz Fila. O engenheiro respondeu a questionamentos dos  parlamentares e do público sobre sua apresentação, realizada na reunião da última segunda (15).

“Surgiram mais dúvidas que esclarecimentos nesta reunião. Estamos na metade desta interpelação e vamos concluir na semana que vem”, disse o presidente da CPI, Jorge Bernardi (PDT), que confirmou que um representante dos empresários e a Urbs estão  novamente convidados para a próxima quinta-feira (25). Em pauta estará o detalhamento da tarifa. “Ainda neste momento eles estão como convidados, mas numa outra oportunidade poderão vir como depoentes, caso as informações prestadas sejam inconsistentes”, complementou. O vice-relator, Valdemir Soares (PRB), compartilhou a opinião de Bernardi. “Foram muitas perguntas pertinentes para respostas incompletas e repetidas”, concluiu.

Fila debateu diversas questões junto aos vereadores. Um dos temas questionados foi a determinação do processo licitatório de que as empresas concorrentes tivessem 25 anos de experiência no modal curitibano. “A exigência consta na maior parte das licitações, para a garantia da qualidade”, avaliou o gestor. “Não vejo na licitação nenhum favorecimento às empresas locais”, disse Velozzo.

O engenheiro da Urbs já havia apresentado, na última segunda, dados sobre o processo licitatório do transporte coletivo urbano, realizado em 2010. O gestor afirmou que o número de passageiros sofre uma redução gradativa e que o sistema tem um custo de R$ 6,02 por quilômetro rodado. Como são rodados por mês 12,566 milhões de quilômetros, o valor mensal é de R$ 75,5 milhões. De acordo com ele, a tarifa técnica, fixada em R$ 2,99 desde 1º de junho, deve cair três centavos com a isenção do ICMS do diesel, que ainda não está sendo aplicada.

O engenheiro do Setransp apresentou sugestões para a redução da tarifa, dentre outros assuntos discutidos com os vereadores. Ele defendeu que o município dê prioridade ao transporte público, a manutenção dos subsídios, o incentivo ao aumento do número de usuários, a desoneração tributária e uma melhor distribuição dos usuários quanto aos horários de pico. “O sistema precisa de mudanças estruturais”, declarou. Ainda de acordo com as operadoras, os balanços e demonstrações contábeis já foram apresentados à Urbs e estão à disposição da sociedade.

A CPI do Transporte Coletivo tem como vice-presidente Serginho do Posto (PSDB) e na relatoria e vice-relatoria, respectivamente, Bruno Pessuti (PSC) e Valdemir. O colegiado reúne, ainda, os vereadores Chicarelli (PSDC), Chico do Uberaba (PMN), Cristiano Santos (PV), Geovane Fernandes (PTB), Mauro Ignacio (PTB), Noemia Rocha (PMDB), Paulo Rink (PPS), Professora Josete (PT) e Toninho da Farmácia (PP).

Repúdio

O presidente da Câmara de Curitiba, Paulo Salamuni (PV), apresentou nota de desagravo em favor do engenheiro Luiz Fila, agredido na última segunda por uma torta no rosto, jogada por uma integrante do Movimento Passe Livre (MPL). O incidente provocou o adiamento do debate, retomado nesta tarde.

“Atitudes como esta devem ser repelidas veementemente, visto que respeito não se firma pela força, mas por condutas morais. A democracia exige responsabilidade e lembramos que existem meios legais para manifestar contrariedade”, diz a nota. “Quem pede respeito deve manter a conduta pautada no respeito. Manifestações legais e pacíficas nunca serão repudiadas”, complementa. O documento também censura publicamente a integrante do MPL, pela “atitude abusiva, ilegal e desrespeitosa”.

Para o presidente da Urbs, Roberto Gregório da Silva Junior, o ato “agrediu um cidadão e também a própria democracia”. “Apoiamos a CPI e nosso corpo funcional não será intimidado por essas atitudes”, apontou. O presidente do Setransp, Dante Gulin, também repudiou a agressão e declarou apoio aos trabalhos da comissão especial.

Entregues na última semana ao prefeito, um abaixo-assinado e um manifesto dos funcionários da sociedade de economia mista foram apresentados à CPI. Os documentos questionam o uso do termo “caixa-preta” da Urbs e dizem que a entidade está “aberta e pronta para responder qualquer questão”.
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