Moradores do Centro reclamam do barulho das buzinas da manifestação

por Filipi Oliveira — publicado 14/05/2020 02h14, última modificação 14/05/2020 02h14 Reprodução do texto autorizada mediante citação da Câmara Municipal de Curitiba.
Moradores do Centro reclamam do barulho das buzinas da manifestação

Daniela Mazza disse que faz tratamento quimioterápico e não consegue dormir. Marcelo Maia é médico e reclamou do barulho “o dia inteiro”. (Foto: Rodrigo Fonseca/CMC)

Dois moradores da região central da cidade vieram até a Câmara Municipal, por volta das 23h45 desta segunda-feira, para reclamar do barulho feito pelos sindicalistas que ocuparam o corredor de acesso à sala onde ocorreu a reunião da Comissão de Legislação, Justiça e Redação. Durante todo o dia, buzinas foram usadas como fator de pressão, já que eles pedem a retirada ou arquivamento dos projetos de lei do chamado Plano de Recuperação, proposto pela Prefeitura de Curitiba. A reunião acabou seis horas depois de muitas rodadas de negociação (leia mais).

Os vereadores Serginho do Posto (PSDB), Mauro Bobato (PTN) e o diretor-presidente do IPMC, José Taborda Rauen, foram hostilizados pelos sindicalistas e preferiram não sair sem que o acesso estivesse livre. Os manifestantes não deixaram o local. Os protestos continuaram, inclusive com buzinaço nas janelas da sala das comissões.

A moradora Daniele Mazza disse que faz tratamento quimioterápico e lembrou que a liberdade de um vai até onde começa a liberdade do outro. “Passei o dia tentando descansar depois do [tratamento no] hospital. Ninguém consegue dormir, ninguém consegue fazer nada. A democracia deve existir, não com vandalismo, não tirando a paz do próximo, e com uma boa negociação”, disse, ao ser recebida pelo presidente Serginho do Posto.

Com ela, o médico Marcelo Maia, que trabalha no Hospital Pequeno Príncipe, endossou a reclamação: “O dia inteiro buzinando. Não tem cidadão que consiga viver em paz com esse barulho. Eu sou médico. Amanhã de manhã vou atender pacientes”.  

Serginho do Posto explicou que atendeu as reivindicações dos servidores ao tentar intermediar um diálogo entre os sindicalistas e o prefeito Rafael Greca. “Vamos juntos conversar com eles para que cesse o barulho, até pela Lei do Silêncio”. Professora Josete disse que a saída estava livre o tempo todo. “Estavam todos atrás da roleta. Eu mediei e fiz tudo que podia”. Ainda permanecem no local os vereadores Osias Moraes (PRB) e Noemia Rocha (PMDB), além de assessores e servidores da Câmara.