Conteúdo das aulas de ensino religioso é debatido na CMC

por José Lazaro Jr. — publicado 14/09/2020 20h29, última modificação 14/09/2020 20h29
Vídeo-aula de ensino religioso divide vereadores na CMC. Parte é contra abordar liturgia, outros que é “falsa polêmica”, pois a aula é facultativa
Conteúdo das aulas de ensino religioso é debatido na CMC

Conteúdo das aulas de ensino religioso na rede municipal de educação é debatido na CMC. (Foto: Rodrigo Fonseca/CMC)

Durante a sessão plenária desta segunda-feira (14), na Câmara Municipal de Curitiba (CMC), o vereador Ezequias Barros (PMB) informou que questionará a Prefeitura de Curitiba sobre a forma como as aulas de ensino religioso, na rede municipal, são ministradas. Ele exibiu em plenário vídeo em que, na opinião do parlamentar, é ensinada prática religiosa, com adoração a Iemanjá, o que o vereador julga errado. Outros quatro parlamentares debateram o assunto. Osias Moraes (Republicanos) concordou com ele, enquanto Professor Silberto (MDB), Professora Josete (PT) e Maria Letícia (PV) questionaram a abordagem dada por Barros ao tema.

Segundo Ezequias Barros, as aulas de ensino religioso devem falar dos aspectos históricos e culturais, mas a prática deve ser restrita à família. “Não queremos que a bíblia seja ensinada nas escolas, mas não queremos também que sejam ensinadas outras práticas. Aquilo é um culto”, reclamou. Ele disse ter sido “bombardeado” por críticas de um grupo de professores nas redes sociais após abordar o assunto. Falando de outros usos para a carga horária do ensino religioso defendeu mais aulas de língua estrangeira e falou em retomar aulas de Moral e Cívica, por exemplo. Para ele, a aula de ensino religioso às vezes ultrapassa a contextualização histórica e cultural para tratar da liturgia “e isso é levado para dentro de cada e causa confusão”.

Em aparte, Silberto disse ter visto apenas contextualização do assunto no vídeo exibido, dizendo “não ter visto nada de errado”. Para Josete, “é uma atividade que ilustra como as pessoas dessa religião manifestam a sua fé e parede que só incomodou a abordagem por se tratar de uma religião de matriz africana”. A vereadora acrescentou que há, na legislação, a previsão que a oferta do ensino religioso é obrigatória, mas a matrícula é facultativa, portanto as famílias já podem escolher se querem, ou não, que seus filhos participem dessas atividades. Portanto, para a vereadora, trata-se de uma “falsa polêmica”.

Dizendo-se solidária às professoras e professores, Maria Letícia disse lamentar que fossem envolvidos na discussão. Para ela, “é na escola que devemos falar de todas as religiões, inclusive as de matriz africana” e que “opiniões diferentes das nossas são virtudes”. Após ouvir as ponderações, Barros insistiu que “aceitar religiões é uma coisa, ensinar prática é outra coisa diferente”. “Vocês não têm ideia de como os evangélicos são mortos pelo mundo”, concluiu.

Restrições eleitorais

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Em respeito à legislação eleitoral, não serão divulgadas informações que possam caracterizar uso promocional de candidato, fotografias individuais dos parlamentares e declarações relacionadas aos partidos políticos. As referências nominais aos vereadores serão reduzidas ao mínimo razoável, de forma a evitar somente a descaracterização do debate legislativo (leia mais).