FAS reafirma ações em atendimento à população em situação de rua

por claudia.krüger — publicado 07/04/2020 00h08, última modificação 07/04/2020 00h08 Reprodução do texto autorizada mediante citação da Câmara Municipal de Curitiba.
FAS reafirma ações em atendimento à população em situação de rua

Cláudia Estorilio e Fabiano Vilaruel participaram de reunião remota na CMC, nesta segunda-feira. (Foto: Carlos Costa/CMC)

“Nunca vi uma situação dessas, tão grave e tão complexa”, declarou sobre a pandemia de covid-19 a superintendente da Fundação da Ação Social (FAS), Cláudia Estorilio, que esteve junto do novo presidente da entidade, Fabiano Vilaruel, em reunião virtual da Comissão de Saúde, Bem-Estar Social e Esporte da Câmara Municipal de Curitiba (CMC), nesta segunda-feira (6). Além deles, falou também sobre o combate ao novo coronavírus a secretária municipal da Saúde, Márcia Huçulak, que apresentou estatísticas da capital e respondeu questionamentos aos vereadores. 


Durante o debate, ao vereador Herivelto Oliveira (Cidadania) – integrante da Comissão de Direitos Humanos, Defesa da Cidadania e Segurança Pública, e quem solicitou a participação da FAS na reunião - a superintendente afirmou que não é verídico vídeo que mostrava uma pessoa supostamente contaminada com o coronavírus em uma unidade de acolhimento e que sim, houve duas moradoras que estavam com gripe, doença com sintomas similares à covid-19. De acordo com Fabiano Vilaruel, um vídeo gravado por populares no meio do mês de março também indicava que não havia estrutura no local. No entanto, ele ponderou que o lugar ainda estava sendo estruturado. “As coisas estão organizadas, com espaçamento adequado [entre camas]. Há um espaço de convivência adequado para que as pessoas possam sair da rua nesse momento”, garantiu o presidente da FAS. 

De acordo com Cláudia, a FAS está trabalhando “intensamente” desde o início do mês de março para atender à população de rua além de realizar ações de proteção social básica. Para isso, foram abertas duas unidades de acolhimento institucional para pessoas com suspeita de covid-19, com um total de 60 vagas, uma no Cajuru e outra em Santa Felicidade. Segundo ela, nenhuma das pessoas que estavam acolhidas nestes equipamentos testaram positivo para o coronavírus. “O consultório de rua tem acompanhado [a população] sistematicamente”, garantiu Cláudia, que afirmou que toda a população de rua está sendo vacinada contra o H1N1 e que um trabalho ostensivo em relação à higiene tem sido realizado. Para isso, pediu apoio da população com a doação de itens de higiene e roupas masculinas. 

Conforme a superintendente, as 10 unidades dos Cras (Centros de Referência da Assistência Social) continuam funcionando e que os centros Pop (Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua) foram reordenados para que, em vez de servir como casa de passagem, fossem transformados em unidades de acolhimento institucional, o que tem demandado esforços do Município para garantir estadia aos moradores, evitando que os acolhidos retornem às ruas e fiquem vulneráveis ao contágio com o coronavírus. 

Cláudia explicou que a FAS está se esforçando para garantir o atendimento da população vulnerável e afirmou, em resposta a Oscalino do Povo (Pode), presidente da Comissão Direitos Humanos, e Maria Leticia (PV), que medidas como o espaçamento entre as camas das casas de acolhimento e oferecimento de estrutura para higiene das pessoas estão sendo tomadas, além da contratação de profissionais para trabalhar como cuidadores. 

O presidente da FAS, Fabiano Vilaruel, ressaltou ainda a importância da emenda coletiva de R$ 345 mil (308.00143.2019) destinada pelos vereadores para a realização de pesquisa em relação à população de rua. “Importante para sanar de vez falas em relação ao número de moradores. A gente fala [atualmente] de estimativas”, que seria em torno de 2.400 pessoas, segundo o número mais atual. Porém, ele relevou que o número deve ser maior, já que muitas pessoas se negam a responder ao cadastramento. Ao Dr. Wolmir Aguiar (PSC), presidente da Comissão de Saúde, afirmou emenda de R$ 40 mil, de 2018, foi recebida pelo Centro de Captação de Vagas (Sine), para a compra de equipamentos que servissem à formação para o primeiro emprego de jovens em vulnerabilidade social. 

A vereadora Professora Josete (PT) questionou medidas como a testagem das pessoas em acolhimento, tanto para a segurança delas quanto dos servidores que lá atuam. Ela também indagou a respeito de denúncias de que alguns moradores de rua tinha seus pertences apanhados. “Somos contrários a qualquer ação que viole direitos humanos, como o recolhimento dos pertences. Não vamos concordar com isso”, respondeu Cláudia, embora tenha afirmado que exista a coleta de objetos que são deixados nas calçadas. Josete, no entanto, contrapôs e afirmou que há inclusive um vídeo que mostra uma abordagem em praça da cidade em que os objetos foram retirados do morador. “Está acontecendo sim, com as pessoas junto com os seus pertences. É uma denúncia que estamos fazendo”, acrescentou a vereadora. 

Ex-presidente da FAS e que retornou ao mandato de vereador na última sexta-feira (3), Thiago Ferro (PSDB) agradeceu o apoio dos colegas e afirmou que a entidade já tratava com o governo federal medidas a serem efetivadas para atender a população. Segundo ele, desde o início da pandemia mais de 500 pessoas receberam auxílio retornar às suas casas em suas cidades de origem, assim como 80 índios que estavam na capital retornaram às suas tribos. 

A conversa com o presidente da FAS e a superintendente da entidade durou mais de uma hora e pode ser conferida na íntegra no canal da CMC no YouTube. Também participaram do debate os vereadores Bruno Pessuti (PSD), Dalton Borba (PDT), Ezequias Barros (Patriota), Jairo Marcelino (PSD), Marcos Vieira (PDT), Mauro Bobato (Pode), Noemia Rocha (MDB), Oscalino do Povo (Pode), Professor Silberto (MDB) e Tico Kuzma (Pros).