Pandemia: debatidos aporte ao transporte coletivo e abertura de templos religiosos

por Pedritta Marihá Garcia — publicado 22/04/2020 18h48, última modificação 22/04/2020 18h48 Reprodução do texto autorizada mediante citação da Câmara Municipal de Curitiba.
Pandemia: debatidos aporte ao transporte coletivo e abertura de templos religiosos

Foto: Rodrigo Fonseca/CMC

Dois assuntos dominaram os horários dos vereadores inscritos no pequeno expediente da sessão plenária virtual desta segunda-feira (20). O aporte de R$ 200 milhões da Prefeitura de Curitiba às empresas do transporte coletivo durante a pandemia do coronavírus foi debatido por Maria Leticia Fagundes (PV), Professora Josete (PT) e Bruno Pessuti (Pode); e a abertura dos templos religiosos, com restrições, foi defendida por Ezequias Barros (PMB), Dr. Wolmir Aguiar e Osias Moraes, ambos do Republicanos.

Abrindo a discussão em torno do funcionamento do transporte coletivo durante a crise da covid-19, Maria Leticia Fagundes (PV), criticou o anúncio de que o sistema do transporte estaria para receber do Poder Executivo um aporte de R$ 200 milhões. A vereadora, que é médica-legista e integra o Comitê de Enfrentamento da Emergência de Saúde Relativa à Covid-19 na CMC, se manifestou contra a medida por defender que desde que a cidade declarou estado de emergência em saúde pública na cidade, em 16 de março, as empresas de ônibus estariam “realizando todo o tipo de manobra para garantir o seu lucro”.

“[Como] primeiro ato, tentaram reduzir a frota de ônibus, causando aglomeração de pessoas nos terminais, nos pontos, nos tubos. Depois, cortaram metade do salários dos funcionários e ameaçaram cortar vale-alimentação e auxílio-saúde”, emendou Fagundes, que sugeriu que esse aporte financeiro fosse investido em equipamentos de saúde e testes em massa para identificar quem da população está com o coronavírus de forma assintomática; ou garantir, “no mínimo, uma tarifa gratuita, por respeito ás pessoas e até por respeito ao decreto [municipal] de emergência em saúde pública”.

Na mesma linha de raciocínio continuou Professora Josete (PT): “todos sabem que temos uma das tarifas mais caras do Brasil. A tarifa já é subsidiada pelo Poder Público e, agora, na prática o que se propõe é a ampliação disso”. Segundo a parlamentar, que é vice-líder da bancada de oposição no Legislativo, a cidade está refém dos consórcios que operam o sistema, que “terão seu lucro garantido em detrimento dos recursos públicos que nesse momento são tão necessários nas áreas de saúde, de segurança nutricional, de assistência social”. Ela solicitou ao líder do prefeito, Pier Petruzziello (PTB), um posicionamento a respeito do assunto.

Autor do projeto de lei que altera a remuneração das empresas do transporte coletivo de passageiros transportados para quilômetro rodado (005.00019.2017) – que aguarda votação pelo plenário desde maio de 2018  – Bruno Pessuti (Pode) observou que se a lei já estivesse em vigor, a crise que está sendo causada pelos empresários aos seus funcionários teria sido evitada. “Porque não haveria redução na arrecadação [com a diminuição dos usuários pagantes]. A arrecadação seria por quilômetros percorridos e não pela quantidade de passageiros transportados. Ficaria muito mais fácil o controle. [Seria] muito mais transparente”, completou.

Abertura dos templos religiosos
Ezequias Barros, Dr. Wolmir Aguiar e Osias Moraes, todos da bancada evangélica, pediram apoio de Pier Petruzziello na intermediação da sugestão para que a Prefeitura de Curitiba emita um decreto municipal autorizando a reabertura das igrejas e templos religiosos. Os parlamentares defenderam que essa medida contenha regras semelhantes as já aplicadas ao comércio em geral – respeitando a necessidade do distanciamento social e os cuidados com a higiene, necessários no enfrentamento da covid-19.

“[Os templos] não seriam abertos para todos. Pedimos que as igrejas e templos pudessem voltar a reabrir, de uma forma cuidadosa e respeitosa. Pedimos que o prefeito olhe com bons olhos. Ele tem sido muito parceiro das igrejas, ontem [dia 19 de abril, ele] enviou mensagens aos pastores, que têm ajudado de uma forma muito grande com o cuidado espiritual [da população]. Muitas pessoas precisam ir à igreja, estão com dificuldades e não podem fazer seu culto à Deus”, explicou Barros.

Segundo Osias Moraes, a abertura das igrejas e templos é possível e já aconteceu em São Paulo (SP), centro da pandemia no Brasil. Ele contou que o prefeito Bruno Covas se reuniu com representantes das igrejas para elaborar um decreto com orientações sobre como as igrejas pudessem reabrir”. “[Lá, na capital paulista] as igrejas podem abrir com 30% de sua capacidade. Com essa flexibilização que houve na quarentena [em Curitiba], as pessoas estão indo mais às ruas, às farmácias, aos supermercados. E elas também querem ir às igrejas. Elas também querem ter seu momento de culto”, disse.

“Essa sugestão é para que a Secretaria Municipal de Saúde divulgue uma diretriz para orientar os templos [na reabertura aos fiéis]”, esclareceu Dr. Wolmir Aguiar, que vai apresentar, junto com Ezequias Barros, uma indicação de ato administrativo ou de gestão sobre o tema. O parlamentar, que é presidente da Comissão de Saúde, Bem-Estar Social e Esporte e do Comitê de Enfrentamento da Emergência de Saúde Relativa à Covid-19 da CMC, finalizou ao observar que, desde o início da crise do coronavírus, algumas igrejas têm realizado cultos online e até atendimentos individuais.